Família, Corinthians e Futebol. Nessa ordem

Esse é, provavelmente, o primeiro texto sobre futebol que escrevo nos meus quase 34 anos de idade. Também pudera, a paixão é recente mas o amor segue desde os tempos de berço.

Eu consigo, e não consigo, entender todo esse fanatismo e disputas babacas que rolam nas rodas de discussões pelos botecos da vida. O amor é forte e pode mexer mesmo com a cabeça do indivíduo, mas sempre achei a vibe que circula o evento muito mais interessante. Desde as cerimônias de torcedores supersticiosos  quando o jogo está prestes a começar, até o elo familiar e social fortalecido.

Explico: sou paulistano, de uma família que viveu pelo menos duas gerações em São Paulo antes do meu nascimento. Moro fora da cidade e quando estou lá é sempre inevitável o pensamento de que é meu lugar e onde está minha história. Onde meus bisavós, avós, tios, pais e primos tiveram suas histórias e as mantém vivas até hoje. Reconfortante pensar isso andando pelos bairros da Zona Norte. Mas eu e São Paulo não  batemos os santos. Tentamos algumas vezes e é sempre difícil. Na minha adolescência, férias, durante alguns meses de trabalho depois de adulto, shows, visitas… Todas as vezes ficamos nos estranhando mas toleramos a presença um do outro em nossas rotinas. Esse calo já estava esquecido, quando o futebol apareceu por aqui e fortaleceu a minha relação com o passado.

Descobri essa coisa maravilhosa bem tarde. BEM tarde. Mas é sempre válido. Minha família é torcedora tradicional do Corinthians e resolvi assumir de uma vez esse legado. Motivado, principalmente, pela perda de meu irmão; o mundo ficou sem um grande corinthiano (chato e apaixonado), precisava ganhar outro. Cá estou.

Eu e os mano treta da fiel

Fico puto quando perde mas não perco meu sono, como meu tio parece perder. Não ligo de apoiar outros times ou simpatizar com clubes de outras cidades. Aprendi essa coisa com meu pai, um glorioso torcedor da Portuguesa que curte um bom futebol, não importa de onde. Fico puto quando jogador faz corpo mole. Mas isso tudo não chega perto do barato que tenho pelo clima todo, do mesmo jeito que minha mãe faz. Ter uma paixão em comum com familiares distantes, uma sensação de levar adiante a tradição familiar de bisavós (quer dizer, nunca perguntei isso a eles. Meu avô foi um grande corinthiano…minha avó sempre lembra como ele chorava quando o Timão levava um gol sofrido). Me sinto diretamente ligado a todos eles durante 90 minutos de bola que corre pelo campo. Diferentes planos colados no campo. Pelo menos gosto de pensar que essa ligação existe. Faz bem e só melhora o clima de uma boa partida.

Que seja pelos que aqui estão, e pelos que se foram e deixaram seu amor e dedicação. Vai, Corinthians!

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Publicado por: guga azevedo

Guga Azevedo é jornalista formado pela PUC-PR em 2006. Péssimo escritor de sua própria biografia em blogs e rodapés de textos opinativos. Viveu em São Paulo, Recife, Curitiba, Santa Barbara (California), Brooklyn (NYC) e voltou para Curitiba. Dizem. O Grande Escape não é constantemente atualizado, não está nas redes sociais, não tem números absurdos de page views, visualizações únicas ou qualquer outro tipo de informação que o mercado considere relevante hoje (ou que acabe transformando seu autor em referência editorial na web e super descolado nas rodas de descolados que existem por aí). Este blog só existe quando as ideias batem, o tempo sobra e o coração aperta com a vontade de escrever. Up, up and away.

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