I'm Gustavo "Guga" Azevedo: a journalist, content strategist, DJ, and host of E S K P F M. I was born in São Paulo, grew up between Recife and Curitiba, and have also lived in New York and California. Since 2025, I’ve been calling Barcelona mi casa
(Note: This text was originally published on July 13, 2012).
Jack Kerouac fans and On The Roaddie-hards are biting their nails raw as they wait to face a couple of hours of the book’s silver screen adaptation. A few hours that summarize a book written in three weeks, featuring a romance inspired by a seven-year trip. A trip that came about to change the mindset of an era, and never really ended.
Dear Kerouac-loving friends, here is a heads-up: Walter Salles didn’t butcher the adaptation. It must have been a tough job… and the result won’t be the best movie of your life. It’s not a masterclass in acting or screenwriting either. The payoff comes with the sensations. If you keep an open mind, you might just find some pretty good complements to your own trip there.
What blows your mind right away is the sound. Not the sound of insane, sweat-drenched, bebop-fueled parties driven by descriptions that swing like jazz solos. Kerouac did that flawlessly, and no image or music can kill that buzz. What hits heavy are the sounds of footsteps on the asphalt. The heavy breathing. The sex. The rain and the wind. The crying, the anger, the joy. The roar of the car engine cutting through the highway. Something that only cinema can deliver… and it works. You realize this within the first five minutes of the film.
You’re left completely disarmed by this new world opening up inside a piece of your emotional memory that you guard so closely: a book.
Dear friends who aren’t fans of Kerouac, haven’t read On The Road, or have no clue what this movie is about other than the fact that the girl from Twilight appears in it. Here is a heads-up: this is a slow-burning movie. Slow. Like a long road trip. Landscapes come and go, and the boredom of a lifetime (usually summarized on a blank page) is traded for an empty highway. Kerouac’s long descriptions and inner thoughts are replaced by giant, silent shots. No dialogue. Just the hangover of youthful euphoria trying to make sense during the quiet moments. You, my dear friend who has no idea what you’re getting into, also need to keep an open mind. Those “boring” parts say a lot about the story you are watching.
Fans and non-fans alike, a new question hangs in the air: was the charming Dean Moriarty (or Neal Cassady) the very first victim to suffer and get lost in the pursuit of absolute freedom? Today, we suffer from this same illness through the sheer overload of information invading our daily lives; telling us how to live well, have everything, travel, conquer the world, do what we love, make money, live and survive on playful illusions. The Beat Generation went looking for self-discovery, new experiences, and raw sensations. They lived under a technocratic system, their lives neatly scheduled, while simultaneously discovering the early ripples of Eastern culture (which made a massive difference for a young American back in the ’40s) and being guided by a thought that leaves us bewildered today: to know it all, to live it all, to have it all. Is that even possible?
sempre gostei da ideia de ofício. do encontro do dom natural com o conhecimento encontrado pela vida. pessoas que tatuam, que consertam sapatos, que fazem drinks, que cuidam do café, que pintam, que cozinham, que plantam, que cuidam das abelhas, que esculpem, que grafitam, que massageiam, que tocam, que dançam, que cuidam de cabelo, que fotografam, que praticam yoga, que escalam montanhas, que treinam cavalos…
hoje você até encontra cursos formatados para essas funções. especializações e tudo mais. a tentativa de formalizar um conhecimento que vem com a vida. com a experiência de ir ver outros profissionais trabalharem, trocar ideias, perguntar, opinar, aprender na prática.
o cenário ideal para educação. mais até do que a sala de aula.
mas o que eu acho mais bonito é o atendimento/entendimento do grito interno que leva a pessoa a acreditar em seu ofício e partir para esse tipo de aprendizado constante.
sem provas ou diplomas. sem DPs ou frustrações com professores. a pessoa escolhe o quê, quando e como vai atender sua natureza profissional.
eu escrevo. esse é meu ofício. não foi a faculdade ou alguma formação convencional que me preparou para isso. é inato, natural, inerente. sinto que já cheguei meio que sabendo isso.
você pode ter uma ideia de como é essa sensação.
e eu gosto de escrever sobre música. outro ofício. sobre discos, bandas, histórias, shows, cenas e todo movimento que rola nas pessoas tocadas por ela. acho justo usar um ofício para compreender melhor outro ofício. e gosto mais ainda da ideia de poder escrever e tentar me aproximar esteticamente de um disco ou show. algo como estar à altura do que está sendo falado. algo que me puxa pra cima.
mas no fim das contas… eu escrevo.
escrever redações decentes na escola virou jornalismo. jornalismo virou rádio. rádio virou entretenimento. entretenimento virou curadoria e conteúdo para processos de inovação. processos de inovação viraram pesquisas de tendência. pesquisas de tendência viraram ux writing. ux writing virou content marketing. content marketing virou a amálgama de SEO-storytelling-estratégia-social-PR-podcast-branding-blog-localization-copywriting-tom-de-voz-promptêros e o que mais for exigido pelo mercado.
tudo isso para manter um trabalho e viver dignamente.
e no fim das contas… é só escrever. e voltar a escrever.
O melhor horário da cidade de São Paulo é às 13h de domingo. Um horário que é de almoço, de passeio, de acordar, de sobremesa e de ir dormir. Um horário que a gente não precisa correr. Nem precisa ir para algum lugar. Você só existe. Eu tenho essa sensação desde a infância. Parecia que a cidade ficava meio deslocada de sua rotina nesse período… não sabe lidar com isso.
Fica embaraçada. Envergonhada. Como uma adolescente sozinha em uma festa do crush da escola. E é ai que ela deixa transparecer algumas de suas melhores formas. Principalmente com esse monte de verde espalhado por todas as ruas e vistas de sua região. Estamos no meio de uma selva. Circulamos entre gigantes ancestrais que já ultrapassaram os limites da memória com suas raízes expostas pelas calçadas. Com altos prédios entre árvores e usinas na beira do rio.
Sempre piro imaginando que assim como o topo das árvores era o limite dos índios, a nuvem é nosso limite atual. Hoje achamos até meio primitiva essa medida das árvores, da mesma forma como entraremos para a história com nossas nuvens. SP está no caminho de ultrapassar isso. A população já comprou essa briga: unir o topo das árvores com além das nuvens.
Durante um período da minha vida no Brooklyn eu passava diariamente em frente ao The Museum of Contemporary African Diasporan Arts (MoCADA) no caminho para o bar onde trabalhava. Lembro bem das vitrines com merchandise e acessórios ligados à cultura africana junto com cartazes das exposições. Sua fundação tem como objetivo principal manter viva a chama da herança africana no condado, principalmente durante o processo de revitalização que o centro comercial do Brooklyn passa há alguns anos. São mostras e provocações que acompanham o mesmo ritmo do surgimento de novos prédios e frios conjuntos habitacionais na área. Cor e calor para nos lembrarmos que aquilo ali não é nenhuma Manhattan. O Brooklyn é treta, tem alma e aprendeu a sobreviver na babilônia, se transformando no principal modelo de resistência e resiliência para seus habitantes que encaram as mesmas adversidades diariamente. Uma personagem/modelo viva na vida de todos.
Lá no meio dos produtos dispostos na vitrine do MoCADA estava uma edição reunida da saga A Nation Under Our Feet, responsável pelo resgate editorial de Black Panther em abril de 2016. A edição #1 foi a revista mais vendida nos Estados Unidos no mês de lançamento. Algumas quadras antes dali, a loja de uma rede de livrarias locais só tinha edições dessa mesma revista como opção de quadrinhos disponíveis para venda. Mais nada. O mesmo acontecia com várias outras livrarias pequenas, lojas de discos e lojas de produtos étnicos. Era como se a cidade inteira, silenciosamente, se posicionasse exibindo uma orgulhosa e bem cuidada curadoria de suas principais obras para o mundo notar. E não se engane, A Nation Under Our Feet merece essa atenção.
O autor dessa história mora no bairro ao lado. Ta-Nehisi Coates é escritor, jornalista, professor e uma das principais vozes no debate racial e político que cruza o globo. Tem passagens bem relevantes pela redação da The Atlantic, Time, Village Voice e Washington Post, além de ser o dono de um dos livros mais comentados do ano passado, a coletânea We Were Eight Years In Power: An American Tragedy. A obra reúne ensaios escritos durante os oito anos da gestão de Obama no país. Mais uma cutucada editorial nas bochechas alaranjadas de Trump.
Coates é hoje cotado como sucessor ao posto deixado por seu mestre, James Baldwin, tanto nas reflexões sociais quanto produção literária. Além de A Nation Under Our Feet ele também escreveu algumas outras sagas para o herói (ao lado da The Crew). Foi sua estreia no mundo das HQs e essas revistas já devem ter sido lançadas no Brasil. Você também encontra fácil a versão em inglês por aí.
Saí da sessão de Pantera Negra pensando nessas histórias de Coates, maravilhado com Wakanda e na forma como a tradição da cultura africana e o peso de sua diáspora pelo mundo foram trabalhados para um público que pode estar preocupado apenas com cenas de ação e as Jóias do Infinito de Thanos. Também reforcei o ponto que tinha com meus botões, de que a Marvel vai muito melhor com filmes de personagens não tão conhecidos/amados de seu panteão (como Guardiões da Galáxia e Doutor Estranho – Homem Formiga flopou e deixo essa discussão para outro post).
Se você não assistiu nenhum filme da Marvel até hoje pode ir ver Pantera sem problemas. Todas as peças que precisa ter para entender os dilemas do jovem rei T’Challa são apresentadas na produção. A obra não é necessariamente um filme de origem do herói (já que vimos sua estreia em Guerra Civil), mas sem dúvida é a apresentação de uma das mais incríveis mitologias do universo cinematográfico da Marvel. O que torna esse filme maior além de toda rede de referências e absorção do herói fora das telas.
Wakanda vive e rouba a cena: como terra prometida escondida, como utopia híbrida de alta tecnologia e tradição, como lar de mulheres fodonas, como palco de debates que abordam o que realmente importa na agenda atual. O jovem diretor Ryan Coogler conduz um elenco estelar para recriar de maneira majestosa o paraíso africano que nasceu na mente de Jack Kirby. O mundo que todos lutamos para viver.
Visualmente ele respeita as possibilidades para a tradição africana transbordar elegantemente na tela; tanto nos desenhos das roupas e estampas, quanto na arquitetura moderna/orgânica, o caos neutro das ruas, cabelos, acessórios tecnológicos, naves e tudo mais que uma cidade do futuro africano merece. As mulheres são fortes como leoas. Tem a escarificação do vilão que eterniza mortes em seu corpo, as pinturas faciais, uso das máscaras e a incorporação de espíritos, técnicas de batalha inspiradas em Shaka Zulu… o peso da história do continente e a memória de todos que contribuíram de alguma maneira em seu desenvolvimento.
Afrofuturismo na melhor forma… é o Afropunk explicando ao Burning Man como ser cool.
E eu travei: Wakanda, Coates, tradição, diáspora…
<3 Shuri <3
Muito boa a sintonia que rola entre Coogler e o excelente Michael B. Jordan desde Fruitvale Station, se fortaleceu em Creed e seguiu bem com o vilão Killmonger. Nessa entrevista aí na sequência o diretor explica melhor como foi feita a escolha dos atores e papéis (lembrando que Chadwick Boseman e outros nomes já tinham sido escolhidos pela Marvel, junto com alguns caminhos seguidos no roteiro e adaptação) e revela que a história precisava de um ator forte para segurar a onda do vilão tão bem construído. Você acredita em B. Jordan e sabe que o embate entre os dois é necessário e autêntico: o respeito pelas raízes x cuidar dos frutos espalhados pelo mundo. Todos gostamos de vilões.
A melhor parte de entrar na cabeça de Coogler é ver como as obras têm ligações diretas com sua vida: em Creed ele optou por abordar a relação de pai e filho, já que seu pai era um grande fã de Rocky Balboa. Com Pantera Negra, o diretor estreita laços com o continente africano e com os movimentos negros, contribuindo de forma saudável e bem objetiva.
Tira aí 50 minutos da vida para ver essa entrevista com ele. Tá bem boa:
Enquanto isso, nos quadrinhos, Ta-Nehisi Coates criou uma Wakanda em crise na série publicada em 2016 (o que seria uma bela continuação para um possível Black Panther 2. Já explico…), além de apresentar um vilão tão bom quanto Killmonger e uma motivação no mesmo nível. Dessa vez o povo se volta contra o rei T’Challa e uma série de ataques espalhados pelo país desestabiliza a coroa. O responsável por isso é Tetu, uma espécie de terrorista que usa medidas extremas para “cuidar” do país e resgatar o valor de sua história. Um roteiro denso, que pega uma Wakanda em reconstrução após ser inundada por Namor (desse rolê eu tô por fora) e ser atacada por Thanos (o que nos abre a brecha para um possível SPOILER em Guerra Infinita – mas se aconteceu nos quadrinhos, não quer dizer que vai acontecer nos filmes. Aí vai: nesse ataque, o Titã mata Shuri, irmã de T’Challa e uma das personagens mais queridas e fofas do filme. Quase uma princesa da Disney. No enredo ela já tinha assumido o manto de Pantera Negra. FIM DO [possível] SPOILER).
Temos aqui grandes elementos para o herói ficar ainda maior em filmes futuros.
Coates mergulha nas referências das lições da Africa pré-colonial, os efeitos das rebeliões europeias no final da Idade Média, Guerra Civil Americana, Primavera árabe e até mesmo a origem do ISIS. O mais interessante é que ele revela que isso tudo também vem do leitor de 9 anos de idade que ainda mora dentro dele e quer vibrar com seu herói superando as “grandes responsabilidades que chegam com o poder”. Ele cita Chris Claremont e Tom DeFalco como influências ao lado de Hemingway e Fitzgerald… Não tem como dar errado. O próprio autor te explica melhor isso tudo.
Não fui tão longe para saber qual é o nível de influência de Coates na adaptação cinematográfica de Coogler, mas já esbarrei com a notícia de que eles trabalham juntos em uma outra adaptação para os cinemas que também conta com B. Jordan. A ideia é levar para as telas a história do artigo Wrong Answer, escrito por Rachel Aviv para a New Yorker em 2014.
Pantera Negra mostra só a ponta desse espírito da diáspora africana mais vivo do que nunca e nos relembra que essa luta não depende somente de um herói ou rei. Sua imagem é importante, mas o posicionamento individual é a melhor forma de contribuição na valorização cultural e social. Seja na seleção de gibis vendidos em uma livraria ou no recorde mundial nas bilheterias com a estreia do filme; carregamos a cicatriz histórica que se transformou em uma das principais fontes de amor e calor na alma desse planetinha triste que habitamos… essa herança vive para evoluirmos ainda mais com ela, mas mesmo assim ainda temos muito o que melhorar até chegar em Wakanda.
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PS. Você achou mesmo que eu não ia falar de música, né? =D
O quão foda está essa trilha sonora cuidadosamente selecionada pelo homem da vez, Kendrick Lamar? Rap no flow de batidas africanas e uma reunião de artistas tão estelar quanto o elenco do filme.
O post surgiu na timeline e parecia mais uma ação especial dos caras do East River Tattoo no Brooklyn. Só que logo na sequência veio uma print de um artigo do The New York Times com o título “Sade’s quiet storm of cool” – um sacado jogo de palavras com a letra de The Sweetest Taboo. O texto dizia que um cliente mané do estúdio escreveu uma resenha ruim no Yelp reclamando que eles estavam ouvindo Sade no local. Segundo seu comentário, Sade é “música de sala de espera de cirurgiões plástico”. A resposta dos tatuadores não poderia ter sido melhor:
O NYT usou essa passagem como gancho para discutir a importância silenciosa da cantora/banda Sade. O artigo é delicioso (vai o link novamente) e aborda toda influência seletiva deles no mundo da música, moda e comportamento. Impressiona como a grande maioria realmente compactua com o pensamento do mané do Yelp, ignorando que essa mistura sexy de jazz, soul e ritmos caribenhos não poderia estar encontrando um lugar melhor na história. Além de Kanye e a turma do hip hop, nomes de outros rolês como Poolside e Star Slinger são exemplos de outras esferas da música dançandinho o mesmo ritmo. Embalados nas mesmas histórias. Com uma memória afetiva em comum.
Uma banda que está sempre presente e é inatingível.
E essa entidade chamada Sade Adu continua um poço de mistérios para todos nós.
Shilpa Ray é uma grande contadora de histórias de Nova York. Trombei com essa faixa dois meses antes de voltar para o Brasil e virou meu hino de bota fora da cidade. Nessa vibe de quebrar tudo e oficializar certa antipatia por algumas instituições e perfis da cidade e seus habitantes. Dois dias depois que cheguei ela lançou Door Girl, invocando as sombras de Patti Smith, Lou Reed, Jon Spencer, Blondie, Talking Heads, New York Dolls e outros grandes malditxs do rolê (quem é velhx sabe que o uso do termo “malditx” nesse contexto é bem positivo).
Imagina uma lasanha com suas camadas representando uma época/gênero diferente do rock. Algumas bem estereotipadas e facilmente identificadas, como o punk, rockabilly e o queijo derretido. Outras são mais sutis e fora do foco, mas dão a liga: postura, autoconhecimento e um bom molho. Shilpa Ray é a faca que corta isso tudo em uma matada de larica clássica na madrugada.
Last Year’s Savage é seu trabalho anterior e foi bem elogiado em 2015. Passou batidaço por aqui. Tentei ouvi-lo novamente depois do terremoto de EMT Police and the Fire Department… mas continuou não batendo. Shilpa é engraçadona e tão específica em suas letras, causos e melodias que você pode facilmente ficar fora da rodinha se não estiver preparadx.
Door Girl tem uma vibe mais suja e ácida. Tô no repeat há umas duas horas. Cada repetição reforça a impressão de que Shilpa Ray veio pra contar suas histórias e não fazer amigos.
Se o santo bater nesse disco, vocês serão grandes bróders. Acredite.
Voltei com a fase MC5 por causa do High Time, de 1971. Justamente o começo do fim da banda. Por mais que tenha sido um disco que não faz jus ao potencial sônico deles, até que tá envelhecendo bem.
Trombei com o disco esses dias. Mais um daqueles sinais de que existe o resgate dos anos 90, assim como da nostalgia dos anos 70 que criamos naquela época. Louco demais isso… como se fosse a saudade da saudade. Ou a saudade do resgate.
Tuva: da última vez que eu pesquisei a valer esse país eles tinham como base econômica a caça, sua população era nômade e não existiam estradas para os países vizinhos. Só as trilhas nas montanhas e aviões levam o que rola do mundo exterior para seus homens e mulheres do campo. Essa pesquisa foi feita em 2005. Xamanistas, enterram as placentas das crianças quando nascem, usam pele de cabras da montanha e crina de cavalo como matéria prima de seus instrumentos fabricados da mesma maneira há alguns milênios. E eles cantam como o vento. Essa é a tradição desse país localizado entre a Mongólia e Rússia: o vocal gutural. Os throat singers utilizam músculos da garganta, peito e ouvidos que não utilizamos normalmente. Transformam a cabeça em uma caixa de ressonância orgânica e atingem notas tão graves com a garganta, que o som fica agudo. Cantam no campo, para seus familiares, amigos, lendas e animais. Essa técnica é estudada para tentar resolver problemas de cantores pop, de rock e ópera, segundo o líder do Huun-Huur-Tu revelou nessa apresentação ao vivo + entrevista para a KEXP.
Isso tudo acontecendo em 2017.
A história toda é tão boa que eu não tenho coragem de cruzar as informações para saber se mudou alguma coisa ou se algum fato citado está melhor explicado ou não. Quero manter ela assim comigo: