sobre um homem do bem

 

A figura de Leon Bridges já é curiosa por si só. Um jovem e desconhecido cantor que surgiu em festivais colaborativos no Texas para desfilar pelo mundo. A mistura torta de Mosf Def com Otis Redding: alma velha em um corpo de criança do hip hop. E seu show é fino. Todos os sentidos abertos para o mundo que existe entre os púlpitos de igreja e inferninhos da música negra. Esses dois universos ligados por momentos de tentação, baixos pesados, beatitude, órgãos e cordas quebradas. Um campo que começou a ser melhor explorado em nossa geração por Jack White e abriu a porteira para o novo-velho rock sulista de bandas como Elli “Paperboy” Reed e Alabama Shakes. No meio dessa abdução do passado e nova digestão, encontramos Leon Bridges.

Segurava o violão sozinho no palco. Jeans de cintura alta, camiseta branca, topete e óculos grossos. Parecia um jovem retirado dos anos 50, na cidade de Austin. Foi a imagem que surgiu no primeiro vídeo que vi no Youtube, durante uma apresentação do festival Sofar. Ele cantava a história de sua mãe. Peito aberto e versos de Lisa Sawyer que virou minha preferida. Agora, rodeado por músicos com ternos bem cortados e postura impecável, Bridges sustenta um cabelo mais curto e visual elegante. A cada intervalo das músicas, uma contraluz valoriza a bem delineada silhueta esguia de cada um.

Não estamos mais acostumados com tanta honestidade e exposição de um jovem artista. Principalmente os desconhecidos. Hoje, todos surgem com algum planejamento bem traçado e até estratégia de atuação. Sabem as regras do jogo desde sempre. Deveriam ensinar marketing e administração junto com as aulas de música. (Tá. Concordo que esse offtopic seja uma grande evolução na vida de qualquer banda iniciante. Só que é uma postura que abre espaço para público e jornalistas terem dois pensamentos diferentes: 1) quem são esses caras? como eu gostei deles assim rápido? o que eles querem de mim? e o 2) não me interessa. stop. fecha janela. tchau). Definitivamente, não estamos mais acostumados com a honestidade de Leon Bridges.

O investiram inicial foi para esse lado e o resultado é o melhor possível. No palco, a mistura entre displicência juvenil quase arrogante, com o charme na falta de traquejo, segue equilibrada pelo peso precocemente maturado de suas composições. Isso que você encontra na turnê que roda desde janeiro de 2015 (um mês antes do lançamento de seu primeiro disco, Coming Home, veja bem), e que passou por Santa Barbara na última sexta-feira. Bridges encontrou um Arlington Theatre completamente lotado por pessoas de todas as idades e estereótipos. É sempre um encanto ver os mais idosos que ainda frequentam shows. O jovem cantor reúne uma leva de fãs com idade bem avançada, assim como os já citados Alabama Shakes. Vi a banda ao vivo em setembro de 2015, em Nova York, para um público super misturado. Parecia uma grande festa de família. Toda vez que rola o debate sobre “o fim do rock e música pop”, lembro desses exemplos e esquento o coração. Tenho pena de quem não vive a experiência de olhar para fora da panelinha e ver coisas incríveis acontecendo. Para eles, o rock vai acabar logo com toda certeza.

Os primeiros passos na história do rock e soul music, resgatados por Leon, surgem mais pesados no palco. E cheios de fé. Sua banda é formada por amigos que o conheciam antes da fama. Ele conta essa história enquanto apresenta cada integrante. Junto com o pedido de desculpas pela possível falta de atenção ou simpatia com o público. “Desculpem. Ainda sou novo nesse mundo”. O pacote da inocência entra em ação. Funciona.

As músicas são mais robustas ao vivo e, pelo que é apresentado, suas novas composições já estão saindo com mais peso. Teremos surpresas, pode apostar.

_fotos postadas: http://ello.co/guga (yeap, ainda uso essa rede)
_para acompanhar ao vivo no snapchat: @gugaazevedo
_e logo depois no Instagram: https://www.instagram.com/gugaazevedo/

😉

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