prince 1958 – ∞

Lembro bem da reação que tive ao ouvir o discurso que Prince fez no Grammy 2015. A cerimônia seguia no clima de autocelebração-nível-fast-food-da-indústria, com apresentações de jovens artistas e seus trabalhos urgentes para aquele ano. Discursos vazios e causas furadas que acompanham fritas e refrigerante grande na promoção. Eu me questionava até onde isso era válido para a música e tinha algum tipo de retorno na forma de $.  Você começa a perder a esperança na humanidade e vira um velho chato que não pode participar desse tipo de roda de conversa com os amigos.

Na hora da entrega do prêmio de melhor disco do ano (que foi para o belo Morning Phase do Beck), Prince foi direto… com toda sutileza que existe nesse lado da galáxia:

 

“Albums still matter. Like books and black lives, albums still matter”.

 

Ele resumiu o medo que corria pelos Estados Unidos depois dos abusos policiais que causaram a morte de Michael Brown e Eric Garner, assim como sua luta quase quixotesca contra a internet, serviços de streaming, mp3 e tudo mais. São segundos que duram anos de histórias e debates.

Senti um aperto na boca do estômago nesse momento. Desci do troninho da razão que acomoda boa parte dos colegas de profissão e relaxei. Precisamos aceitar certos comportamentos da indústria para que caras como Prince continuem vivos entre nós. Vivos, no presente mesmo. Que seus discos sejam vendidos, ouvidos de cabo a rabo e tenham seus legados devidamente eternizados nos corações de jovens que ainda estão para nascer. Se o Grammy vai contribuir de alguma maneira com isso, também pode lucrar. Todos saem ganhando nessa ingênua (e libertadora) constatação.

***

Não falei nada sobre a morte de David Bowie mas li hoje uma relação bem pertinente: assim como Bowie é um modelo extremamente importante para jovens brancos que não se encaixam em suas realidades, Prince é o equivalente negro. Digo mais: eles são importantes para qualquer um, porque trataram a vida de todos nós como arte.

(gif veio daqui)

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Publicado por: guga azevedo

Guga Azevedo é jornalista formado pela PUC-PR em 2006. Péssimo escritor de sua própria biografia em blogs e rodapés de textos opinativos. Viveu em São Paulo, Recife, Curitiba, Santa Barbara (California), Brooklyn (NYC) e voltou para Curitiba. Dizem. O Grande Escape não é constantemente atualizado, não está nas redes sociais, não tem números absurdos de page views, visualizações únicas ou qualquer outro tipo de informação que o mercado considere relevante hoje (ou que acabe transformando seu autor em referência editorial na web e super descolado nas rodas de descolados que existem por aí). Este blog só existe quando as ideias batem, o tempo sobra e o coração aperta com a vontade de escrever. Up, up and away.

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