grandes heróis e caras estranhos

James Murphy é o segundo maior ser humano vivo, e se a primeira coisa que você pensou lendo isso é “Coachella”, pode terminar de ler o texto por aqui e volta para o Facebook.

Nem vi nada do que rolou esses dias no desertão. Sorry, H&M. Mas o retorno do LCD Soundsystem é uma das notícias mais legais do ano e merece ser festejada enquanto Murphy e sua gang estiverem tocando. Tá rolando um vídeo com uns quarenta minutos do que foi seu retorno no primeiro show em Nova York. Webster Hall recheado de kids saltitantes e corajosos com seus telefones levantados.

Esquenta o coração ver esse bando de gente estranha no palco novamente, mexendo em seus brinquedos caros, vintages e complicados… “que fodem nossas almas”. Cada um em um canto do palco, na crua vibe da luz fria de um estúdio ou o final de noite em um pub qualquer. Depois da saidera. Velhos desajustados que usam e abusam das roupas em tons pastéis e cortes clássicos como se você fosse um filme do Woody Allen no CBGB. Nancy Wang não tá mais massa com esse visual Playmobil-eslovaca, mas o James Murphy continua foda. Sofre e carrega nos ombros o peso de toda uma geração que baba seu ovo. Gente como eu e você que realmente o considera como o segundo maior ser humano vivo e quer ser seu amg. Ficou feliz com ele, sofreu com sua partida e achou que podia tentar ir tomar um vinho em seu bar no Brooklyn. Mas ele voltou, pediu desculpas, marcou uma penca de show e já vai lançar um disco novo. Tá tudo bem agora.

Murphy continua sob o carma da eterna indecisão de Losing My Edge e da exposição de suas impotências (saiam daqui jovens de Berlin, Tokyo, França e Londres). O peso de ter dedurado a principal característica de toda uma geração (aquela que ainda sofre de saudades por quase tudo que aconteceu em 2005. Você e eu, de novo, sempre juntos). Foi uma turma que teve o direito de escolher, acertar, se orgulhar do caminho seguido e querer mostrar para todos. Ou não, mas encontra em sua frustração uma forma de tornar positivo o caminho do outro. As boas ações de hoje chegam sob a moldura de um landscape em .jpg e alguma mensagem inspiradora em helvética. Todos ficam felizes assim. Pela frustração da escolha, pelo tédio, pela ausência de grandes descobertas e no paradoxal orgulho pelos frutos colhidos. Você coloca aqui o fato de ter o carro do ano ou o pleno entendimento de um disco do Gil! Scott! Heron! Somos uma geração que pode escolher e abusou/sofreu com isso. Mas considera sua bolha bem ampla e pronta para ajudar o mundo de qualquer maneira. Mesmo que passando vergonha. O LCD sacou o rolê e James Murphy virou o maior letrista do século XXI (até agora). Uma banda punk e irônica travestida de projeto eletrônico. Ou o contrário.

Mas aí eu fico aqui pensando com meus Eus de outras épocas… para um cara conquistar a geração mais nova que veio na sua sequência, ele não pode ser normal. O cara mais velho, que tem um raciocínio claro sobre a molecada, é deslocado de seu tempo. Um cara que não sabe se comportar com sua geração ou com o que lhe foi oferecido. Ou joga isso tudo de forma distorcida, que bate perfeitamente com os mais jovens. Voltamos para Losing My Edge e suas frustrações usadas como Super Trunfo. James Murphy dizendo que está lá, perdendo espaço para os mais novos, a internet dando um olé, mas ele viu isso tudo e conhece essa pá de gente/disco. Mais uma vez usamos o frutos de nossas escolhas como escudos contra o baixo astral. Para se vangloriar ou virar exemplo em algum post de sucesso do facebook. Se você quer ser um ídolo para os mais jovens, precisa ser o cara estranho da sua sala de aula. Do seu trampo. Do seu rolê. Tem que não entender o que está rolando ou sacar uma nova via. Ou simplesmente ter preguiça disso tudo. Infantilizamos o processo com tais desajustados da preguiça. Mas não estamos errados, já que daqui a pouco a Losing My Edge completa uma década e a gente continua sem saber o que quer

Cadê meus amigos agora para conversarmos sobre isso?

Ou:

Sound of silver talk to me
Makes you want to feel like a teenager
Until you remember the feelings of
A real life emotional teenager
Then you think again

Mas tá tudo bem.

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Publicado por: guga azevedo

Guga Azevedo é jornalista formado pela PUC-PR em 2006. Péssimo escritor de sua própria biografia em blogs e rodapés de textos opinativos. Viveu em São Paulo, Recife, Curitiba, Santa Barbara (California), Brooklyn (NYC) e voltou para Curitiba. Dizem. O Grande Escape não é constantemente atualizado, não está nas redes sociais, não tem números absurdos de page views, visualizações únicas ou qualquer outro tipo de informação que o mercado considere relevante hoje (ou que acabe transformando seu autor em referência editorial na web e super descolado nas rodas de descolados que existem por aí). Este blog só existe quando as ideias batem, o tempo sobra e o coração aperta com a vontade de escrever. Up, up and away.

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