
sempre gostei da ideia de ofício. do encontro do dom natural com o conhecimento encontrado pela vida. pessoas que tatuam, que consertam sapatos, que fazem drinks, que cuidam do café, que pintam, que cozinham, que plantam, que cuidam das abelhas, que esculpem, que grafitam, que massageiam, que tocam, que dançam, que cuidam de cabelo, que fotografam, que praticam yoga, que escalam montanhas, que treinam cavalos…
hoje você até encontra cursos formatados para essas funções. especializações e tudo mais. a tentativa de formalizar um conhecimento que vem com a vida. com a experiência de ir ver outros profissionais trabalharem, trocar ideias, perguntar, opinar, aprender na prática.
o cenário ideal para educação. mais até do que a sala de aula.
mas o que eu acho mais bonito é o atendimento/entendimento do grito interno que leva a pessoa a acreditar em seu ofício e partir para esse tipo de aprendizado constante.
sem provas ou diplomas. sem DPs ou frustrações com professores. a pessoa escolhe o quê, quando e como vai atender sua natureza profissional.
eu escrevo. esse é meu ofício. não foi a faculdade ou alguma formação convencional que me preparou para isso. é inato, natural, inerente. sinto que já cheguei meio que sabendo isso.
você pode ter uma ideia de como é essa sensação.
e eu gosto de escrever sobre música. outro ofício. sobre discos, bandas, histórias, shows, cenas e todo movimento que rola nas pessoas tocadas por ela. acho justo usar um ofício para compreender melhor outro ofício. e gosto mais ainda da ideia de poder escrever e tentar me aproximar esteticamente de um disco ou show. algo como estar à altura do que está sendo falado. algo que me puxa pra cima.
mas no fim das contas… eu escrevo.
escrever redações decentes na escola virou jornalismo. jornalismo virou rádio. rádio virou entretenimento. entretenimento virou curadoria e conteúdo para processos de inovação. processos de inovação viraram pesquisas de tendência. pesquisas de tendência viraram ux writing. ux writing virou content marketing. content marketing virou a amálgama de SEO-storytelling-estratégia-social-PR-podcast-branding-blog-localization-copywriting-tom-de-voz-promptêros e o que mais for exigido pelo mercado.
tudo isso para manter um trabalho e viver dignamente.
e no fim das contas… é só escrever. e voltar a escrever.
cá estou.











